Eis um dilema: A pessoa que deveria te informar é a mais desinformada e/ou mal intencionada que há. Posso culpar um montão de gente e coisas, mas o fato é que todo veículo de comunicação relevante é uma corporação com fins lucrativos que tem que defender os interesses daqueles que detém o capital. Isso é fato e não está sujeito a discussão. Beleza então. Dia desses eu vejo o seguinte no IDG Now: “Sistema antifraude da Visa tem falha grave de segurança”. Como é uma coisa que muito me interessa, fui lá conferir do que se tratava. E, 2 minutos depois de ler, concluí que trata-se de um jornalista ignorante (não burro, apenas ignorante – aquele que não sabe porque não tem conhecimento e não porque não consegue raciocinar) que leu um artigo de um blog obscuro da Trendmicro (que faz Antivirus e não tem nada a ver com fraude de cartão) e resolveu propagar a manchete alarmista. Pra resumir: Não tem nada de errado com a Visa nesse aspecto em particular e o defeito está com os bancos que emitem os cartões. E cada um faz isso de uma forma diferente, tanto que o próprio autor do texto original diz que o que ele escreveu só se aplica àqueles bancos que ele verificou, não sendo portanto uma falha generalizada. Certo, pulemos para o dia de hoje quando vemos na página inicial do G1 que “Estudo diz que Rio é a 2a. mais cara da América”. É óbvio que quem vive no RJ sabe que a situação tá beirando o ridículo, porém a manchete real deveria ser: “Estudo especificamente voltado para o custo de vida de funcionários expatriados por empresas transnacionais com base no custo de vida de Nova Iorque sem levar em conta o PPP e as idiossincrasias da cidade em questão aponta o RJ como segunda mais cara ever”. Só pra constar, Caracas não é uma cidade intrinsecamente cara. Caracas é cara para o expatriado porque o câmbio é artificial, nada mais. Todo esse papo liberal que diz que o mercado é auto-regulado e que o preço das coisas é uma função direta da demanda é conversa pra boi dormir. É só olhar a situação econômica dos US of A e da Europa do Euro pra ver que o modelo Demanda x Oferta é simples demais pra ilustrar a capacidade quase sobrenatural que os profissionais da área tem de inventar maneiras de fazer dinheiro a partir de algo que não existe. Não tá caro simplesmente porque a demanda tá alta. Tá caro porque alguém tá manipulando a demanda, criando uma escassez que não existe, especulando, trollando geral, etc. É só perguntar pra De Beers por que um diamante custa tão caro, dado que não é um item particularmente raro (hint: é caro porque a De Beers é um cartel que controla a grande maioria da produção e controla artificialmente a oferta. Diamante não é raro. Na verdade, tem diamante pra caralho por aí).
Voltando ao ponto. As notícias que você lê nos grandes veículos são criadas por um bando de despreparados que abusam da grande falácia do apelo à autoridade para conferir alguma credibilidade àquilo que estão escrevendo. Lembre-se sempre: na grande maioria dos casos quem escreve sobre economia não é economista. Quem escreve sobre tecnologia não é profissional da área. Quem escreve sobre ciência não é cientista. Quem escreve é aquele sujeito que foi instruido a escrever certo ao invés de aprender como escrever direito. Há uma diferença crucial aí.



